quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

NO VACA

Você tenta, mas não dá. Quando você menos espera, lá está você de cabeça para baixo. Pior, lá está você, de cabeça para baixo, nadando para cima, outra onda vindo e outra e outra e outra. É só você agora. Sua prancha já foi com o primeiro caldo. O esquema é criar forças e nadar pra cima. Mas como criar força se nem respirar você consegue? Tem horas que a coisa tem que vir de dentro. Aliás, é justo agora que você descobre o quanto é forte.

Uma novidade: Ser forte não é dar conta. E talvez você nem dê, mas vai fazer tudo. Tudo o que puder. O lado quente vai amar, o lado frio vai pensar... os dois juntos vão te transformar. E você vai estar lá, firme, fazendo tudo o que puder, quebrando as barreiras que a vida pode ter colocado entre vocês porque é hora de aproveitar. É hora de não deixar pra amanhã ou depois. É pra fazer agora o que for ruim e o que for bom. Porque o que for ruim, tem seu tempo pra passar, e o que for bom, tem seu tempo para ser aproveitado sem deixar aquela sensação de "devia ter ido mais uma vez no brinquedo antes de ir embora pra casa".

Uma dica: Abra o peito. Dar peito é se dar a chance de receber muito mais.

Um segredo: Ser forte, amar, pensar, aproveitar, se transformar ainda não é dar conta... para isso, os amigos.



Sem mais.
Sempre mais.
Sempre aqui.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

TRUCO

Ainda hoje me surpreendo com a capacidade que temos em ignorar nossa intuição. Tem coisa que belisca você e só tempos depois é reconhecida com legitimidade. Foi a assim com a Lulu. Eu sei exatamente quando ela apareceu. Mesmo assim, precisei de meses e da história maluca de uma amiga - contando como teve certeza absoluta de quando engravidou, como soube que algo tinha acontecido naquele instante - para descobrir que aquilo não era coisa da minha cabeça, era sensibilidade. E isso acontece o tempo todo, mas só somos capazes de assumir que já tínhamos nos dado conta daquilo quando coincidências começam vir a tona. Aí você vê que coincidência mesmo foi só a incapacidade de sentir de peito aberto o que bateu. Também pudera... você apanha tanto, que fica difícil se despir do medo. Até carne muito amaciada rasga!

Com o amor é assim, você toma tanto tapa na cara, que a pele fica rígida. A maioria das pessoas corre atrás do Amor-Status, da aquisição de um fundo de investimentos do coração, onde ela espera dar amor e receber o lucro multiplicado o quanto antes. Tenho uma novidade (leia-se notícia): você está fazendo isso errado. Não sei nem se é errado, mas não chega aos pés de quando você percebe que está fazendo direito. E isso é só seu. E só percebe quando acontece, porque o retorno é tão positivo, que você já nem sabe mais o que está indo e o que está vindo. Porque você adora tudo, até o que o outro adora em você. Aqui não tem Fernanda, que gosta do Caio, que gosta da Mari, que gosta do Matheus... aqui é tudo "just so easy when the whole world fits inside of your arms". É uma bola de neve. Uma daquelas que mais parecem um pufe quentinho e bem frequentado. "Aaaah, mas ela tá apaixonada"... também, mas não se trata disso. Trata-se de como tudo o que não é Amor-Status cabe dentro do que é bom. Amizade-Status dá tanto defeito quanto, não se engane. Eu to falando de não esperar, porque tudo o que você precisa está ali naquela hora. Não é pra parar de sonhar... longe disso... é para não deixar de aproveitar o que você sonhou, só porque está ocupado sonhando um pouco mais. Viver acordado é muito mais legal. E viver acordado com alguém que está acordado é o Megazort. O Zap. O Rebate na Sueca.

E aquilo tudo que você chamou de "espero que um dia", vai acontecendo sem que você se dê conta do quanto se preparou pra isso. Os "vai ques" daquele dia não passavam de: você, se preparando pro dia em que alguma coisa diferente ia acontecer...





... e você sabia.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

UNWRITTEN

É como naquele filme Click, onde cada momento que você opta por não viver, dá um FWD justo na hora que você quer parar. Eu sempre enchi a boca (leia-se acreditei) pra dizer que não tem PAUSE só porque ela apareceu, mas o que eu não percebi mesmo é que meu sinal estava analógico e por isso não enxerguei o quanto minha vida parou. Bastou instalar o HD pra ficar claro o quão poética (e nem sempre viável) é a ideia de ser mãe o tempo todo e dar conta disso emocionalmente. O mundo gira e chega a hora que a sua vida vem cobrar as rodadas que você estava de café com leite. E tr mostra isso da forma mais adoravelmente perversa possível: te lembrando como é bom. Aí você acha que tá rolando um bônus por aquele tal papo de "dedicação total a você", mas percebe que só chegou no Robotinic outra vez e que pra mudar de fase, vai precisar aprender como administrar seus golpes em meio aos dele.

Aprender é legal, é... eu super apoio. Agora, fazer lição de casa em pleno feriado de céu azul, sol e os melhores planos do mundo? Aí você se dá conta de que não sabe nada sobre como é não ser o que tem sido esse tempo todo e (PLAU IN MY FACE) como estar na prática disponível como estou por dentro.

Pra quem quer pular casa, FWD quando quer parar.
Pra quem pára e não percebe, PAUSE quando quer andar.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

BALA DE TROCO

E quando você acha que o mundo girou, que boa parte das coisas já não te importavam mais, vem as leis - escritas provavelmente por pessoas que nunca estiveram no seu lugar - e te obrigam a conviver com o que há de pior para ser lembrado na sua vida. É igual o médico que te manda pra casa sem amenizar seu sofrimento. Como se espera uma dor passar? Com atestado médico para ser entregue no trabalho? Minha opinião: todo especialista deveria ser obrigado a ser antes sujeito daquilo que trata.

Mais! Isso deveria valer para as pessoas, que aceitam tarefas sem refletir sobre a própria capacidade de bancá-las. Não... Desafios não tem nada a ver com isso. Desafios são muito diferentes de "não tem nada de bom pra dizer, então tosse". A pessoa quer meter o bedelho, quer pagar de #1... oi!!!... tudo o que vai, bate em algum lugar e causa um atrito irreparável (seja ele bom ou não). Não dá pra sair por aí fazendo o caçador de jacarés do Pantanal, que mata porque é temporada. O que você decide hoje, repercute a frente. Mas quem disse que quem não pensa em conseqüências seja capaz de perceber que o Tempo demora muito para passar e o resultado pode vir justamente quando tudo estava melhor e mais calmo? Piada (mas não).

É injusto que, por uma decisão dos supostamente justos, você faça tudo e mais um pouco para na hora de poder alguma coisa, não poder coisa alguma. Atada....






...de mão, cabeça e coração.


quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

MAS JÁ?!

Será que ela vai mesmo parar de chorar quando chegarem com ela perto de mim logo que nascer? Será que ela será bonita ou só fofa? Será que correrá tudo bem? Será que eu não vou mesmo sentir dor? Será mesmo que a internet vai funcionar e meu pai vai ver a Lulu nascer? Será que eu coloquei tudo na mala? Será que está mesmo tudo certo com o convênio? Será que tem mesmo um quarto reservado pra mim? Será que vão colocar azeitona na minha comida? Será que pode levar secador? Será que ela será como a bebê do sonho que tive? Será que amamentar é mesmo como rolou nesse sonho? Será que tudo o que não tenho como prever vai dar certo? Será que coloquei roupa suficiente na mala da Ana Luiza? Será que vai doer depois? Será que a Pulga vai ter ciúme?

Há 1 ano os "serás" invadiam minha cabeça num turbilhão infinito. Já esta semana, a top do ranking foi: "Em pensar que...". Pois é, em pensar que há 1 ano eu estava com tudo pronto e com nada pronto para conhecer a minha barriga. Meses imaginando como seria, se eu ia gostar, se eu saberia como fazer, para não saber NADA na hora H. Em pensar que eu até fazia ideia de quanto minha vida mudaria, mas não tinha noção do quanto EU mudaria. Do quanto a necessidade instintiva de fazer o melhor sempre transformou (e ainda está) quem eu sou. Vejo com clareza o quanto mudei ou aprimorei minhas qualidades. Ainda estou longe da perfeição, mas mudei. É um longo caminho, que está apenas começando. Assim como o tempo, que nos faz esperar e aprender tanto, essa transformação será longa, gradativa e sutil. Por ora, apenas mudanças físicas, somadas a uma pequena amostra de maturidade, com uma pitada de sangue frio e paciência (ainda longe de atingirem um nível respeitável). Também é de se entender. Se para todos esse ano voou, a ponto de se espantarem quando lembram que já faz 1 ano, imaginem para mim? É como cabelo, só os outros (aliás, outras, porque homem não repara...rs) percebem o quanto cresceu e você lá, crente que está no ombro, quando já está quase no meio das costas.

Sem saber o quanto seria necessário, registrei muito de tudo. São fotos, videos, anotações sobre cada careta, cada descoberta, cada ameaça de passo para frente, cada projeto de abraço (abraço mesmo), cada virada de cabeça ao ouvir o próprio nome (ou minha voz - melhor parte) da Lulu. Tudo registrado por essa mãe doida que não larga o celular. Não largo mesmo, mas também tenho tudo gravado e agradeço a mim por isso, pois mal lembro como ela era há 1 ano, mal lembro de como era amamentar (parte que eu passo, repasso e não pago), mal lembro como era segurá-la com menos de 5Kg. Tudo em uma velocidade que eu nunca pude imaginar. Uma infinidade de contas a pagar e receber, daquelas que nos dizem para esperar que o tempo resolva... aqui... no meu colo... rindo de tudo isso... de deboche em cima da nossa incapacidade de entender que eles sabem, entendem e já querem muito mais do que achamos.

Não sei se é visível, mas as mudanças estão aqui dentro e é isso que importa. Perdi a conta de quantos e-mails malcriados eu escrevi e descartei antes de enviar. Mesmo com tantas explosões, essas seriam muito maiores ou numerosas antes. Estar mal acompanhado hoje não é opção, tenho que zelar pelo convívio de uma pessoinha que samba na minha cara uma independência de querer tão grande, que já não sei mais nada. É essa incoerência entre auto-suficiencia de alma e total dependência física que fazem de mim alguém melhor.

 
Ainda no primeiro passo, hoje, meu cabelo está no ombro.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

Gente de todo tipo chega e vai embora desse mundo a cada segundo. Existem os impressionantes, os decepcionantes, os vergonha alheia, os apaixonantes, os imaturos, os modelos perfeitos, os amores da sua vida, os amigos de infância, os novos amigos de infância, os bons colos, os bons drink (e nada mais que isso)... deu pra entender e eu nem precisava ficar denominando os tipos aqui. Todo mundo sabe que o que não falta é tipo de gente na vida. Nem todos cercados pelas melhores companhias, mas é possível que uma hora isso mude. Muda quando você cresce. Parece que crescer dá um upgrade na sua capacidade de observação, de interpretação e (a maior das conquistas) de compreensão.

A observação cresce quando você sente que está sentado em cima de alguma coisa: seu rabo. A partir daí é que você passará a esperar seu cérebro conversar com o coração, antes de soltar uma asneira qualquer pela boca.

A interpretação cresce quando você percebe que não dá para julgar os outros. Tarefa difícil, que exige treino e policiamento ininterrupto, mas possível. Basta parar para pensar que outro dia era você quem estava se comportando daquela forma estranha. Você tinha um motivo para aquilo? Pois é... pode ser que por algum motivo sobrenatural e inesperado a pessoa também tenha os seus. Vai saber...

A compreensão... essa é especial. É a única que não envolve a ação sugerida pelo termo. Compreensão, neste caso, não é uma atitude, é um caminho. Caminho que você só é capaz de acessar quando não está ocupado demais achando isso ou aquilo ridículo. E nem vou falar que essas pessoas fazem falta até você chegar lá, porque não fazem. Não se sente falta do desconhecido. Acontece que quando você cresce, quando se dá conta de que aquela pessoa é interessante, laços já foram cortados e não há mais espaço para receber tudo o que você desperdiçou enquanto seu HD estava trabalhando em prol de coisas "menos ridículas". Então só resta ficar de canto, absorvendo o quanto e o que puder daquela pessoa que tem tanta coisa para te fazer crescer ainda mais.

Agora, sendo realista e eu mesma, tem gente que vai além da minha capacidade de julgamento e é mesmo desnecessária. Para essas, o meu desprezo e risadas de litro.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Para: Mamãe e Papai

Mamãe e Papai,

estou chegando hoje do meu intercâmbio intrauterino de 9 meses. Pude sentir cada tremor de ansiedade de vocês... era um misto de saudade do que nunca viram com uma paz inquietante. Maluco, né? É muito doido pensar que já nos conhecemos tão bem, mas nunca nos vimos. É o que acontece com o toque. Já se ligaram que estamos nos tocando esse tempo todo? Existe, por acaso, algo mais poderoso que o carinho?

Chamegos a parte, maluco mesmo é esse mundo onde vim parar. Com coisas ruins, coisas boas, dias azuis, dias cinzas, frio ("um bom lugar pra ler um livro..." - tá, parei...aprendi com a Tia Caú)... e eu fico aqui imaginando como vocês devem estar com medo. Um medo escondidinho atrás de tanta felicidade, mas está aí. Na verdade, eu vim aqui mesmo para dizer que vocês não precisam ter medo. Até podem ter, mas gastem toda sua ansiedade em me esperar com o peito aberto. O que rolar de fralda suja no caminho, nós damos um jeito... somos um família. SOMOS UMA FAMÍLIA! Yeeei!

Minha Família

Se a coisa apertar, lembrem que tudo o que fizerem a partir de agora foi o melhor. Porque daqui, o "a partir de agora" de vocês é a minha vida inteira. Uma vida maravilhosa, com pais incríveis, que me amam muito (sinto isso o tempo todo, acho que é paixão), que estão me esperando ansiosamente e parece que o relógio parou agora que resolvi mesmo aparecer! 1 do 11 de 2011... dia especial. Sabe como é, né? Sou diferenciado.


Mas diferenciado mesmo é o meu quarto. Papai, você é demais! Ficou insano! Vi tudo pelo umbigo da mamãe outro dia. Ela lavou e passou TANTA roupinha minha, que rolou até uma frestinha para eu espiar. Vocês estiveram muito ocupados esses tempos...uff! Mas agora que eu cheguei, a vida deixa de ser contada em semanas e passa a ser contada de 3 em 3 horas - visitas, não se atrasem, meu ciclo é curto e a mamãe precisa descansar. É hora de colocar os pés para cima (quando eu deixar) e assistir LOST!!!

Ó, não se preocupem com o Tom e o Pepe... nos daremos bem. A Lulu me contou uns truques, disse que a água do potinho da Apple é sempre fresquinha e a comida faz sujeira na mão... can't wait!!

Agora começa a brincadeira e nela só temos uma opção... viver.



Com amor,

                                                                                               Dudu